Crescimento do mercado de bioinsumos do Paraguai abre oportunidades para empresas brasileiras
“O Paraguai é uma realidade para nós, não apenas uma oportunidade”
“O Paraguai é uma realidade para nós, não apenas uma oportunidade” - Foto: Pixabay
O Paraguai está se consolidando como um mercado atrativo para empresas brasileiras de bioinsumos agrícolas, impulsionado por uma grande área de soja, pela crescente demanda por soluções microbiológicas e por condições de negócios que favorecem os investimentos.
Empresas como Simbiose, integrante do ecossistema Cogny, Gênica e Agrivalle estão fortalecendo suas posições em um mercado no qual a proximidade geográfica, as condições agrícolas semelhantes e um ambiente regulatório relativamente flexível oferecem oportunidades de expansão.
A Simbiose, que atua no Paraguai desde 2015, exemplifica como empresas brasileiras podem transformar esse potencial em um negócio consolidado. Segundo Felipe Fiorese, gerente de Negócios Internacionais do ecossistema Cogny, a empresa estruturou, desde 2018, uma operação local dedicada, incluindo escritório, centro de distribuição e equipes responsáveis pelas áreas comercial, financeira e de desenvolvimento de mercado.
“O Paraguai é uma realidade para nós, não apenas uma oportunidade”, afirmou Fiorese, destacando a experiência e o conhecimento de mercado acumulados ao longo de quase 11 anos de atuação no país.
O Paraguai possui mais de 3,5 milhões de hectares de soja, além de uma área significativa de milho e de outras culturas, como cana-de-açúcar, arroz e algodão. Essa base agrícola cria oportunidades para os bioinsumos em diferentes sistemas de produção, incluindo produtos microbiológicos para proteção de cultivos, manejo de nutrientes e saúde do solo.
De acordo com Fiorese, a Simbiose é a maior empresa de bioinsumos do país em participação de mercado e ocupa uma posição de liderança em produtos microbiológicos. A Simbiose continua ampliando suas atividades, com uma equipe local que atende às culturas de cereais, algodão e outros cultivos.
Diversos fatores tornam o Paraguai atrativo para fornecedores brasileiros. A proximidade geográfica e as condições edafoclimáticas semelhantes facilitam as relações comerciais e a adaptação de tecnologias agrícolas. Fiorese também citou a capacidade de investimento dos clientes paraguaios, o uso do dólar americano e os regimes tributários atrativos como vantagens para as empresas que atuam no Paraguai.
O potencial do mercado também está atraindo outras empresas brasileiras de bioinsumos. A Gênica está presente no Paraguai desde 2022, enquanto a Agrivalle ingressou no mercado em 2024. Ambas buscam aproveitar a demanda por soluções biológicas, à medida que os produtores exploram alternativas e complementos aos programas convencionais de proteção e nutrição de cultivos.
Para essas empresas, as oportunidades vão além da soja. O milho e o algodão oferecem caminhos adicionais para o crescimento, enquanto bionematicidas e biofungicidas estão entre as categorias de produtos com potencial. A região do Chaco também está sendo avaliada como uma possível área para novas expansões.
As semelhanças entre os sistemas agrícolas brasileiros e paraguaios podem ajudar as empresas a transferir conhecimento e adaptar tecnologias às necessidades locais. A demanda inclui inoculantes, bionematicidas, produtos solubilizadores de nutrientes e soluções voltadas à melhoria da eficiência no uso da água, ao controle de doenças foliares e à regeneração do solo.
As condições regulatórias oferecem outra vantagem competitiva. Participantes do mercado apontam processos de registro de produtos comparativamente mais rápidos e a possibilidade de reutilizar dados de testes existentes como fatores que podem facilitar a introdução de novas tecnologias. Essas condições podem ajudar os fabricantes brasileiros a ampliar seus portfólios sem precisar repetir todas as etapas de desenvolvimento dos produtos para o mercado paraguaio.
No entanto, estabelecer uma produção local continua sendo um desafio. O acesso à mão de obra qualificada é uma limitação para empresas que consideram instalar unidades produtivas no país, mesmo com o avanço das operações comerciais.
Para os fornecedores brasileiros de bioinsumos, o Paraguai oferece uma combinação de escala, proximidade e semelhanças agrícolas que pode sustentar o crescimento internacional. A presença de empresas consolidadas, como a Simbiose, ao lado da expansão da Gênica e da Agrivalle, reflete um mercado que já atrai investimentos e pode oferecer novas oportunidades à medida que os bioinsumos ganham espaço nas principais culturas do país.